Friday, October 26, 2007

Finlândia

Estava eu cá a pensar acerca das atitudes no mundo universitário... Um dos aspectos que notei logo desde início é que não existe tanto aquela atitude de sobranceria por parte dos professores universitários. É tão normal (banal?) alguém ser detentor de um curso universitário que não há razão para "eudeusamentos".
Não existem conselhos científicos ou pedagógicos. Os professores, a nível particular e os catedráticos, a nível geral, decidem a maioria das questões sem ter de recorrer a orgãos superiores: prático, rápido e sem dispensar energias desnecessariamente. Palavra-chave: confiança. Inclusive, eles têm uma grande liberdade para lançar as notas. Não há livros de ponto para os professores: se alguém se queixa, esses são os alunos. Estes sentem tanta liberdade que, se tiverem algo contra, podem queixar-se livremente do professor X ao respectivo catedrático.

É uma diferença de cultura: é o aluno que está no centro do aspecto educativo. Os alunos têm tanto poder que chega-se ao ponto de estarem representados (e com direito a voto) na escolha de novos professores (sejam eles meros leitores ou catedráticos).
Não sei se tal resultaria tão bem em Portugal: estiveram duas amigas finlandesas de Erasmus no Porto e disseram-me que os alunos lhes pareceram muito infantis. Não admira: aos 17/18 anos, os jovens finlandeses emancipam-se e já não vivem à conta dos pais. No fundo, as realidades são distintas: em Portugal, mesmo querendo,os jovens deparam-se com diversas dificudades, tendo em conta, por exemplo, o custo da habitação (quer compra, quer renda).

Quanto a apoios, os universitários contam uma bolsa que pode abranger três partes:
1. a bolsa propriamente dita
2. o apoio para pagamento da renda (o qual é feito mediante apresentação de documento do senhorio, evitando-se assim a especulação e a exploração dos rendeiros à custa dos jovens... Hmmm, já vi e ouvi isto em algum lado, não?:)
3. podem ainda solicitar um empréstimo (o que a maioria não quer) aos bancos e o fiador... é o Estado!

Os alunos têm ainda direito a vários descontos:
1. a nível dos transportes (cerca de 50%): na área de Helsínquia pagam cerca de 20 euros pelo passe mensal de autocarro, metro e eléctrico;
2. nas refeições (pagam cerca de 2 euros e pouco, se o fizerem com o cartão de estudante); podem comer a quantidade de pão, batatas, arroz e saladas que quiserem: só a carne ou o peixe é que é racionado.

Com este tipo de benesses, é natural que alguns querem prolongar os direitos de estudante até ao máximo. No entanto, com entrada em vigor do Protocolo de Bolonha, a coisa ficou mais complicada e mesmo esses têm de ser mais céleres na conclusão do curso.

Ao contrário do que muitos imaginam, os alunos finlandeses, na sua maioria, não são ricos. Muitos trabalham em centros comerciais e em caixas de supermercados (quer nas férias, quer aos fds):
1. ao contrários de alguns portugueses, não acham que seja algo desprestigiante;
2. os salários auferidos não são tão baixos como em Portugal.

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