Saturday, October 27, 2007

E, como deverão ter estranhado, não toquei no tema do clima: como não poderia deixar de ser, tem influência na maneira de ser deles. Ainda assim, na minha opinião, não tem assim tanto como seria de esperar.

Eles julgam-se mais calados do que aquilo que realmente são. Na realidade, são recatados (mais eles do que elas), mas, em geral, é apenas no início: dizem os Finlandeses que é uma questão de confiança. De facto, custa algo ter um amigo cá mas, quando o tens, é um verdadeiro amigo e é para sempre.

São muito respeitadores das opiniões alheias e raramente entram em discussões tensas. Têm, em geral, um espírito tolerante. Apesar de não serem muito religiosos, são marcados pela moral luterana. Afectados por esta, conseguem deter um auto-domínio que, por vezes, parece roçar a indiferença.
Têm um sentimento de confiança em relação ao Estado e às instituições, o que os leva, por veze, a aceitar decisões e leis duvidosas de uma forma aparentemente crédula.

Em geral, o contacto visual entre as pessoas é evitado. No entanto, parece que esta, entre muitas das características apontadas ao povo finlandês, parece estar a desvanecer-se com o surgimento das novas gerações, que, invariavelmente, classificam a geração mais velha de "cinzenta".
De igual modo, o contacto físico também costuma ser raro. Tal parece ser contraditório com o facto de uma das grandes tradições finlandesas, a sauna, ser feita em conjunto por homens e mulheres. Só após a primeira sessão de sauna mista é que reparei como nós católicos temos tanto pudor em relação à nudez.
Ao contrário do que alguns imaginam, a sauna não tem nada de sexual. É considerado quase que como um ritual pelos Finlandeses.
A convite de um ex-residente, fui convidado a pronunciar-me quanto às Finlandesas. Não sendo eu um "expert" (nem de perto nem de longe), há, como seria de esperar, de tudo:

1. o mito das "nórdicas fáceis"... eu diria ao contrário: muitas portuguesas é que têm problemas em viver sem tabus a sua sexualidade. Algumas destas, têm, por educação (?) ou tradição (?), de se fazerem "difíceis", como coisa que elas não "gostassem" tanto como os homens gostam;)... E se não é verdade, que venham cá tentar convencer-me do contrário!

2. Quando uma finlandesa quer algo, admite e pronto. Por vezes, acaba por cair no outro extremo: após uma noite de sexo, é capaz de sair de manhã e mal cumprimentar.

3. em geral, são maduras, independentes e são elas que, em geral, acabam por ser "quem veste as calças". Por alguma razão uma parte dos casais fino-latinos não costumam durar muito...

Isto claro, é uma panorâmica muito geral e muitos outros factores teriam de ser levados em conta.
Em geral, os Finlandeses não são (muito) ricos pois o próprio Estado encarrega-se de nivelar os rendimentos pela mediania: quem mais ganha, mais paga. A fórmula parece estar plenamente aceite: cidadão remediado, Estado forte, protector e parternalista.

Quem quer ganhar dinheiro, vai para a Noruega. Esse sim, é um país capitalista.

Os serviços sociais finlandeses são, na generalidade, bons:

1. as grávidas têm direito a um máximo de três anos de licença: no primeiro ano têm direito a vencimento por completo e nos dois seguintes, sofrem um abatimento no salário;

2. o sistema nacional de saúde funciona;

3. o sistema de ensino público é eficaz, segundo os estudos internacionais (e mais não digo, deixarei isso para depois).

Isto não quer dizer que haja falhas: os dentistas do Estado são menos bons (há Finlandeses que dizem que são mesmo maus!) e, mesmo assim, é necessário esperar cerca de 3/4 meses para ter acesso a um. E pensamos nós que só em Portugal.
É claro que podes contornar o sistema: telefonas para o centro de saúde e dizes que não podes com as dores. Foi o que fiz. E fui atendido no dia seguinte. Agora vou ao privado.

Numa outra ocasião, deu-me para rir: num centro de saúde, sou atendido por uma enfermeira que estava a fazer a triagem. Esperarei mais de duas horas para tal! E, quando lá entrei, pede-me ela para classificar a minha dor numa escala de 1 a 10. Eu, lamechas, disse 7. "Oh, that must be a really strong pain"-respondeu ela. E, sendo uma segunda, marcou-me consulta para a quarta. Fiquei a matutar se seria uma questão de confiança ou de mera ingenuidade.

Na quarta, evidentemente, a médica "deu-me nas orelhas", pois claro:)... E, solicitando eu uma consulta de especialidade (coisa banal, pensava eu) , ela "recomendou-me" o privado. Como admitem alguns Finlandeses, os serviços sociais já não são o que eram. Os efeitos da Europa liberal também já cá chegaram e estão para ficar. O grande desafio é, sem dúvida, manter o Estado-providência em conjunto com uma economia competitiva.

Friday, October 26, 2007

Finlândia

Estava eu cá a pensar acerca das atitudes no mundo universitário... Um dos aspectos que notei logo desde início é que não existe tanto aquela atitude de sobranceria por parte dos professores universitários. É tão normal (banal?) alguém ser detentor de um curso universitário que não há razão para "eudeusamentos".
Não existem conselhos científicos ou pedagógicos. Os professores, a nível particular e os catedráticos, a nível geral, decidem a maioria das questões sem ter de recorrer a orgãos superiores: prático, rápido e sem dispensar energias desnecessariamente. Palavra-chave: confiança. Inclusive, eles têm uma grande liberdade para lançar as notas. Não há livros de ponto para os professores: se alguém se queixa, esses são os alunos. Estes sentem tanta liberdade que, se tiverem algo contra, podem queixar-se livremente do professor X ao respectivo catedrático.

É uma diferença de cultura: é o aluno que está no centro do aspecto educativo. Os alunos têm tanto poder que chega-se ao ponto de estarem representados (e com direito a voto) na escolha de novos professores (sejam eles meros leitores ou catedráticos).
Não sei se tal resultaria tão bem em Portugal: estiveram duas amigas finlandesas de Erasmus no Porto e disseram-me que os alunos lhes pareceram muito infantis. Não admira: aos 17/18 anos, os jovens finlandeses emancipam-se e já não vivem à conta dos pais. No fundo, as realidades são distintas: em Portugal, mesmo querendo,os jovens deparam-se com diversas dificudades, tendo em conta, por exemplo, o custo da habitação (quer compra, quer renda).

Quanto a apoios, os universitários contam uma bolsa que pode abranger três partes:
1. a bolsa propriamente dita
2. o apoio para pagamento da renda (o qual é feito mediante apresentação de documento do senhorio, evitando-se assim a especulação e a exploração dos rendeiros à custa dos jovens... Hmmm, já vi e ouvi isto em algum lado, não?:)
3. podem ainda solicitar um empréstimo (o que a maioria não quer) aos bancos e o fiador... é o Estado!

Os alunos têm ainda direito a vários descontos:
1. a nível dos transportes (cerca de 50%): na área de Helsínquia pagam cerca de 20 euros pelo passe mensal de autocarro, metro e eléctrico;
2. nas refeições (pagam cerca de 2 euros e pouco, se o fizerem com o cartão de estudante); podem comer a quantidade de pão, batatas, arroz e saladas que quiserem: só a carne ou o peixe é que é racionado.

Com este tipo de benesses, é natural que alguns querem prolongar os direitos de estudante até ao máximo. No entanto, com entrada em vigor do Protocolo de Bolonha, a coisa ficou mais complicada e mesmo esses têm de ser mais céleres na conclusão do curso.

Ao contrário do que muitos imaginam, os alunos finlandeses, na sua maioria, não são ricos. Muitos trabalham em centros comerciais e em caixas de supermercados (quer nas férias, quer aos fds):
1. ao contrários de alguns portugueses, não acham que seja algo desprestigiante;
2. os salários auferidos não são tão baixos como em Portugal.

Monday, October 08, 2007

Sou Fã de Ralis!!!!!!
Desde puto que gosto da velocidade, de conduzir, de pisar o risco, de sentir o ruido do motor a dizer: "Estamos prontos!!!" (falta aqui fazer um parentisis e dizer que acho que esta adrenalina deve ser guardada para a pista, e não para a estrada onde quem pode pagar por um pequeno erro nosso é alguem que não tem nada a ver com velocidade, adrenalina ou emoção mas simplesmente trabalho, sustentar a família ou ir para a escola).
Salvaguardas feitas hoje incomodou-me bastate um ex-campéão de Ralis (Sebastian Loeb) comentar sobre a morte (em acidente de Helicóptero) de outro ex-campeão (Colin MacRae) "Ele ficou conhecido pelo jogo de computador com o seu nome, eu já o jogava antes de correr no mundial de Ralis"

1º - Colin MacRae foi uma promessa confirmada (muita gente falava no puto maravilha MacRae antes de ele entrar no mundial de ralis)! Tem um jogo de computador que vai na 6ª edição porque qualquer Fã de Ralis conhece o Colin Macrae. É alguém que é conhecido por ser piloto de Ralis não por vender jogos de computador.

2º O "Escocês Voador" inspirou muita gente, quando perdeu a supensão direita traseira no rally da Argentina perto do final e empurrou o carro ate ao fim da especial. Quando em duas especiais consegui ganhar 22+ 32 segundos a um Carlos Sainz no seu melhor (ai ganhou a alcunha de escocês voador)

3º O "Escocês Voador" é sinónimo de empenho, preserverança, força, e derminação, não necessariamente Vitória.

Loeb é provavelmente ficara para a história dos Ralis como Schumacher ficou para a história da formula 1! Um dos melhores pilotos de sempre, uma lenda viva, e a nível de fair play e comentários em relação aos Rivais "Um Porco Arrogante!!!!".

Tuesday, October 02, 2007

Pois! Resolvi escrever sobre a palavra "pois"! Quem é que nunca utilizou esta palavra? Em que situações é que a utilizaram? Eu respondo. Quando estão desconfortáveis com uma situação, quando não percebem do que se está a falar ou quando o assunto não interessa minimamente.
Vejamos um caso concreto e ordinário. Imaginem que após uns meses de namoro o sujeito masculino diz à parceira: quero-te fazer um Cunilingus. Ela como não percebe nada desta língua diz "pois", está bem. Claro que se o namorado em vez de Cunilingus utilizasse o vulgo "minete" a parceira diria que gostava muito, mas que infelizmente, e devido à menstruação, não é possível usufruir de tal prazer... a não ser que sejas muito badalhouco e...eu..não me importava nada!
Uma outra situação é uma personagem que trabalha numa empresa e não percebe um boi do que está a fazer e vai para uma reunião. Então o que acha do mercado actual? Pois...é verdade...pois? A verdade é que o gajo não percebe nada do assunto nem do seu desempenho profissional. Se lhe perguntar se anda a comer o seu superior..ele responde..pois! Pois!
Uma outra situação é uma conversa de amigos em que existe uma amiga que diz que fez tudo ao namorado...comeu-o todo...não deixou nem um centímetro para a amante! E o que é que o amigo responde...depois de excitado pela descrição da sua amiga...e com vontade de estar no lugar do seu namorado..."POIS"! Basicamente...o pois desculpa-nos e protege-os daquilo que nos incomoda....por outro lado é uma forma de dizer: " deixa-me em paz...não estou disposto/a a te ouvir por muito bom que seja o teu convite profissional, laboral ou sexual!

Labels: